quinta-feira, 11 de abril de 2013

Enquanto dá.

Durante a vida acreditamos e esperamos por tempo ilimitado, tempo indefinido. Deixamos rolar e desenrolar até as forças deixarem, até estas consentirem. Deixamos-nos ir, na esperança que todas estas voltas nos levem até onde pertencemos, até onde encaixamos. Aguentamos enquanto podemos, enquanto dá, enquanto as forças assim o permitem. Todos eles (cujo nome não pronuncio) assistem a esta espiral de expectativas. A estes dominós sentimentais. Todos eles vão aplaudindo este espectáculo de desilusões, fazendo questão de se levantarem e encararem de frente as nossas derrotas.
Enquanto isso, vamos aguentando. Sorrimos falso enquanto podemos e fingimos que está tudo bem até conseguirmos suportar: esta má sorte, estes maus tratos, estas mudanças.
Esperançosamente tentamos acreditar em dias melhores, em histórias melhores, pois todos os dias desejamos receber nos nossos braços pessoas boas, dignas de sentimentos, dignas dos mais íntimos segredos. Adormecemos na esperança de que todos os nossos sonhos, um dia, se tornarão possíveis, reais. Praticamos este esforço mental dia após dia, cedendo a todas estas utopias que a vida nos faz bebericar desalmadamente. 
É duro aguentar. É triste ter que aguentar. 
Sinto-me endoidecer. O cansaço pesa e aos poucos vou perdendo a minha mente, os meus reflexos, o meu amor próprio. Todos olham, todos aplaudem. Que faço eu agora? Sorriu.  


domingo, 7 de abril de 2013

(In)diferente.

              


Foi tudo uma questão de segundos. Tal e qual a trovoada que chega sem avisar. A ela interessou-lhe a diferença. Aquela maneira de ser que ela nunca conhecera. O obscurantismo que pairava entre as entrelinhas das suas conversas sugava a sua atenção. Acorrentava-a as palavras por longas horas, horas essas que ela nem sentia passar. Eram conversas hipnotizantes que faziam crescer em si todos os sorrisos do mundo. Eram tão diferentes, um oposto que no seu pensamento se podia atrair. Ele nem sabe o quanto a cativou. Não em beleza, não em expectativas. Cativou-a de uma maneira que ela jamais sentira. A diferença. Somente a diferença fez crescer nela esse interesse forasteiro com que ela começava agora a lidar. Era uma diferença boa, porém uma diferença iludida. Uma diferença que agora é tão indiferente…


sexta-feira, 29 de março de 2013

Mundo meu.


    Vou-te dar a mão. Hoje trago-te para o meu mundo, aquele mesmo que te falei e que tu não acreditavas que existia. Vou levar-te à minha realidade. Vou mostrar-te alguns dos caminhos que percorri e percorro. Saberás um pouquinho mais da minha história e do porquê de eu ser assim, estranhamente estranha. Verás com os teus olhos o meu mundo, apreciarás as minhas cores, os meus sonhos e os meus textos. Aqueles que escrevo quando a vontade me toca. Sentirás dentro de ti um pouco mais de mim. E verás que com o tempo crescerá em ti um desejo de querer ficar, de querer descobrir este mundo ao qual te apresento.
     Verás que afinal sou apenas uma mulher, e que as mulheres são estranhas.
     Mas prepara-te, não encontrarás só o meu sorriso largo. A minha tristeza, as minhas desilusões, as minhas quedas. Todos eles têm lugar marcado no meu mundo. Estão arrecadados no caixote que etiquetei como Passado. Aí encontrarás as minhas fraquezas. Os meus momentos maus.
        Quando o vires promete-me que não vais fugir! Promete-me que apertarás a minha mão sem nunca a deixares escapar.
     Acredita, mais à frente encontrarás um lugar especial. Um lugar que guardo com o coração, justamente por ser ao coração que ele está reservado. É um lugar vazio, silencioso. Ainda não tive tempo, nem sorte de o preencher. Está guardado para alguém que ainda não conheci. Alguém com quem um dia partilharei o meu ser, a minha alma e este mundo que acabo de te mostrar. Alguém que, no fundo, me curará.
       Este é o meu mundo, aquele mesmo que te falei, lembras-te? Hoje mostrei-te um pouco mais daquilo que sou. Consegui abrir-te um pouquinho das portas de cada canto meu.
Espero que a desilusão não te tenha assaltado, esta sou eu de corpo e alma, alma e ser.
     É estranho sentir a mão quente, apertada, segura. Obrigado por corajosamente conseguires ficar, obrigado por não fugires e aceitares esta parte de mim. Prometo que amanhã te mostro um pouco mais.
    Do meu mundo, de mim, e quem sabe daquele lugar que te falei… Só precisas de querer ficar.
   Só precisas de ficar!

quinta-feira, 28 de março de 2013


Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, discute, expõe-se, perde por completo o juízo em nome de causas e paixões. Esse coração que tantas vezes sai do sério e, por vezes revê as suas posições arrependido das palavras e dos gestos tomados. Esse coração que tantas vezes fora incompreendido, tantas vezes provocado, tantas vezes impulsivo. Rifa-se esse desequilíbrio emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá para engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar um rosto. Rifa-se.

sábado, 16 de março de 2013

Sonhos Cor-de-Rosa


Tenho sensações estranhas, pressentimentos que me fazem ganhar um certo friozinho na barriga. Sou de olhares, palavras e tactos. Sou de tudo um pouco, e de tudo sou feita. Grandes e pequenas atitudes. Ilustres e delicadas acções. Tudo me cativa, tudo me afasta. Tocam no meu coração, tocam em todo o meu ser. Todo ele vibra e dá pulinhos ridículos, típico de quem se derrete com apenas um sorriso. Vivo a fugir para um mundo colorido que construí com os meus encantos. Adormeço e sonho sobre as suas nuvens, deixando-me ir ao sabor do vento. Permaneço num silencio reconfortante que me trás paz interior, que me trás tudo aquilo que diariamente me falta. São apenas breves minutos de uma tranquilidade cor-de-rosa, com cheiro a algodão doce. Sinto o calor da minha alma, a inspiração das minhas palavras. Nessa coreografia de sentimentos deixo-me ir, colocando à deriva a escritora que há em mim. Sofrimentos de parte, nascem em mim todos os tons do mundo. Colori-me dessa felicidade, viciem-me nestes instantes. Apaixonei-me. Entreguei-me de mente e alma, redescobri o meu ser, o meu ego, a minha alegria. E agora,  que será de mim? Que será de mim agora que descobri onde pertence o meu ser? Realidade, porque és tão "matreira"?   


quarta-feira, 13 de março de 2013

Aos que me detestam, aos que não gostam de mim e aos que gostam assim a assim.


Há uma altura na vida em que deixamos de nos importar. Optamos pelo esquecimento forçado e seguimos. Deixamos de parte todos aqueles que nos desapontaram e que, de certa forma, nos desiludiram. Aprendemos a lidar com erro dessa pessoa, e aceitamos a sua ingratidão. Recorrendo ao nosso íntimo, guardando para nós esse desgosto.
Também existe um momento em que percebemos que a maior virtude da vida, está no desprezo que atribuímos às coisas insignificantes. A todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, não nos aceitam.
Aprendemos a lidar com as suas críticas, com os seus inconformismos, os seus devaneios e até mesmo as suas maldades. Começamos a ganhar dentro de nós um pouco mais de bom senso, começando então a separar o que está certo do que está errado. Começando a desprezar. Seguindo, sempre.
E mesmo que uma imensidão de gente não nos aceite, apenas nos foquemos em continuar. Afinal, quem são eles para julgarem o que vai dentro de nós?
Cabe a cada um seguir os seus próprios valores e tomar os seus próprios juízos. Cabe a cada um o direito da palavra. De a dar e de a não querer dar. E mesmo que tudo isto traga desaforos, apenas continuemos.
A vida constrói-se com compromissos que assumimos, com o nosso coração, com a nossa consciência. E todos esses maldizeres diários, acreditem, um dia serão o nosso forte.
E sabem aquela inveja constante? Aquele desdém importuno? Aquele mal que nos lançam simplesmente porque sorrimos? Ignorem-nos, a todos eles. 
Façam deles música, deixem-nos soltos, eles iram rodopiar com o vento.
Entendam que essas atitudes vêm de seres que se sentem insaciados por algum motivo. Seja carência, ou excesso de confiança, todos eles nutrem dentro de si algo que só por si é triste. Invejam-nos, temem-nos e têm a necessidade de nos fazerem sentir inferiores, daí os seus incontroláveis ataques. Muitas vezes feitos de forma cobarde, à nossa retaguarda.
Por isso, e já que essa gente não vê o nosso interior, deixai-os de parte. Acumulem-nos às insignificâncias da vossa vida. E sigam (sempre). Pois aquilo que somos, é aquilo que criamos. E que mal há em criarmos algo diferente? Que mal há, em sermos diferentes? Valores meus amigos, apenas valores.
D.M.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sonho

Eu olho para a tua tatuagem e para o tamanho do teu braço e para os calos das tuas mãos e, mesmo assim, acho que vai dar tudo certo. Encho-me de esperança e nada. E aí vens tu e tratas-me tão bem... Estragas tudo. Que mania de seres bom rapaz, que coisa chata!
Eu nunca mais quero ouvir que só tens olhos para mim, ok? E nem o quanto tu és bom filho. Muito menos o quanto amas crianças. E trata de parar com essa mania horrível de largar os teus amigos quando eu te ligo. Colabora, pah! Está tão fácil de me ganhar, basta fazeres tudo para me perder.
E lá vens tu dizer que o meu cabelo sujo cheira bem. E que já que eu não te liguei e não te atendi, foste dormir. Não digas que segurar a minha mão é suficiente. E não inventes em querer conhecer a minha mãe. E que viajar sem mim é um fim de semana apagado. E que está tudo bem se eu só quiser ficar a ler e não abrir a boca…
Com tanto potencial para acabar com a minha vida, sabem o que ele quer? Fazer-me feliz! Olhem que desgraça. O rapaz quer fazer-me feliz! E acabar com a maravilhosa sensação de ser miserável. E tirar-me de mim a única coisa que sei fazer de melhor nesta vida, que é sofrer. Anos de acomodamento e ele quer mudar todo o esquema. O rapaz quer mesmo me fazer feliz! Vejam lá se pode...
Não dá, assim não dá! Deveria existir algum tipo de pena para esse tipo de crime. O pior é que isto vicia. Não é que hoje acordei toda convencida? Agora nenhum rapazito me trata mal, eu não deixo. Agora nenhum rapazito se mete comigo, mando logo pastar. Dei comigo a achar que mereço ser amada. Vejam lá se pode, mesmo!! Anos a servir de capacho, feliz da vida, e chega um desavisado com a cara mais incrível do país e muda tudo. Até a cantar eu ando agora. Que desgraça! Ontem quase, quase, mas quase que ele me tratou mal. Foi por muito pouco mesmo. Eu senti que a coisa se estava a dar... Cruzei os dedos, cheguei até a implorar ao acaso… “Vá, é agora rapaz!”. Só mais um pouquinho. Ralha comigo, força! Dá-me uma apertadela forte no braço. Fala-me de outra mulher. Atende a algum amigo retardado bem na hora em que eu te estava a falar dos meus medos. Manda-me calar! Sei lá... Faz alguma coisa homem!
E afinal de tudo era tudo uma piada. Era uma piadinha Deus!! Ele fingiu que estava chateado comigo. E acabou. Já veio com a conversa chata de que me ama e começou o mel todo de novo. Porra que ele não para de me beijar! Que coisa chata.
A minha mãe devia-me prender em casa, proteger-me, sei lá. Onde já se viu andar com um homem destes? Ele vem-me sempre buscar, espera-me à porta, abre-me a porta do carro... Isto, quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Para piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu a ex namorada. Depois de 20 anos a relacionar-me só com homens obcecados por amores antigos, agora aparece-me um obcecado por mim que nem se lembra direito do nome da ex.As pessoas perguntam-me se ele está ou não a gozar comigo. E agora? Como é que eu vou sofrer numa situação destas? Como? Importam-se de me explicar?
Durmo que é uma maravilha. A minha pele está incrível. A fome já voltou. A vida está uma chatice ímpar. Mas alguém pode fazer o favor de me ajudar? Existe alguma terapia para tentar ser infeliz? Olhem que no outro dia até me belisquei para sofrer só um pouquinho. Mas o desgraçado correu até mim para assoprar e dar-me um beijinho. Porra, o que é isto?? Estou mesmo lixada. FF ♥

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Tortura Sentimental



Adorava conseguir-me expressar, libertar destes inúmeros pensamentos que me rodam na cabeça. São tantas as maneiras com que o tento fazer... Já perdi a conta às vezes que tentei expulsar este negativismo dentro de mim. O facto é, o mundo e as pessoas que habitam nele vão sempre arranjar formas de nos partirem o coração. Eu sempre soube disso e por vezes senti na pele as picadas desta afirmação.
Acontece que agora é diferente, agora não são só meras picadas, é um aglomerado de coisas más que juntas parecem querer-me sufocar. Sufocam tudo em mim, a minha maneira de querer viver, os meus pensamentos, os meus desejos, as minhas dores. Não sei mais a que mundo pertenço. 
Deixo-me sufocar por este rancor e aos poucos enterro-me neste sentimento mau que me preenche. Não sei como me deixei afectar de tal maneira, nem como me deixei derrotar por algo que nem merece a minha compaixão. Pela minha alma que juro jamais querer fazer destas vontades actos certos, mas por ela também juro que metade do tempo não é isto que penso. Em que esquema caí eu? Pareço um circo bipolar, pareço uma maníaca? Foda-se, quebraram-me o coração,a alma, o meu sistema. 
Se algum dia pensei eu que jamais iria saber o significado da palavra ódio, hoje refaço essa questão. Dos meus poros expele uma raiva crucial, uma revolta aterrorizante, chegando mesmo assustar. Eu própria vivo assustada com o que sinto dentro de mim. 
E se outrora fui incapaz de desejar o mal, ou até mesmo de o praticar, hoje desejo-o com todas as minhas forças, e ao desejá-lo sei que o estou a praticar. Que as forças divinas me ajudem, eu nunca fui assim. Nunca me vi assim. Será por isso que esta nuvem de azar resolveu descarregar em mim? Digam-me, que mais posso eu fazer além de alimentar estes maus quereres? Esquecer, deixar para trás, ignorar, desprezar… já dizia o outro, “tretas”! Quando nos cravam a dignidade, cravam-nos a alma e todo o nosso ser, esquecer está para lá das minhas capacidades. Sonho com o dia em que acordo e tudo não passará de uma pequena lembrança, apenas uma má recordação. Sonho com o dia em que voltarei a trazer no peito a sensação de alívio, aquela sensação que eu sentia quando era eu mesma.
A minha consciência permanece tranquila, porém carrego em mim esta culpa, culpa de me estar a mutilar aos poucos, a desgastar com esta obsessão, a matar com este sentimento sombrio que plantei em mim. Já tentei explicar o quanto louca me sinto, mas sinto que todos parecem tão ou mais loucos que eu. Se ao menos me deixassem seguir, se ao menos se esquecem de mim, se por breves segundos eu não tivesse nada nem ninguém para me atormentar com este erro, este descuido que eu tão cegamente cometi... 
Rezo para que estas vozes se calem. Esforço-me para voltar a ser eu mesma, sem este medo e esta raiva que me perseguem. 
No fundo, sei que dentro de mim permanece a verdade e todas as coisas boas que fizeram de mim aquilo que sou hoje. Só peço que na balança das sentenças o meu rancor, o mal que me fizeram e todos estes pensamentos que carrego, equilibrem com a pessoa que eu sempre fui, sou e serei. Por isso, perdoem-me... por estar a ser tão fraca e ao mesmo tempo tão forte.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Melodia

 Quantas nas são as vezes que te sentes sozinho, perdido por esse mundo cruel...
 Quantas não são as vezes que todos os teus sentidos te dizem para correr, para fugires desta escuridão que a humanidade se tornou... 
Nesses momentos de tristeza, escuta o teu coração e as vozes angelicais que sempre te protegeram.
 Juntos vão cantar para ti uma melodia que te trará paz interior, mostrando-te de novo o caminho de regresso a casa.
Quando a vida te deixar cego de desgosto, lembra-te que é o amor que nos mantém gentis.
E quando achares que já sofreste o suficiente e que já não aguentas mais este mundo, lembra-te: és amado, e sempre vais ser.
E mesmo que o teu espírito, de tão quebrado que está, queira partir, lembra-te de todos os frutos bons que colheste e de todos os sorrisos que guardas-te, pois foram eles que te fizeram aguentar até agora.
E quando te sentires desesperado pela luta que travas, pensa que a vida é uma luta constante e que tu serás forte o suficiente para aguentar.
Será esta melodia que te mostrará a beleza da vida. Será ela que te vai mostrar que, aconteça o que acontecer, amanha será sempre outro dia, uma outra batalha. Pois quando a vida te machuca é amor, e todas as suas honras, que te vão curar. E amor todos temos, dentro de nós, algures perdido em nós.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sortes


Ela vagueia por todos os lugares, por todos os mundos possíveis e imaginários que a tão magoada alma dela cria. Ancorada naquele remorso que a tanto faz estremecer, ela revira todos os lugares do seu sub-consciente na esperança que este lhe traga à deriva respostas. O seu dia-a-dia é uma luta diária de queres e fazeres que a possuem nos momentos mais inesperados. O monstro que agora habita nela, liberta dentro de si organismos perigosos que a alteram, desmembrando-a pouco a pouco. As suas defesas aprisionadas estão naquela nostalgia que lhe suga o peito, fazendo de um certo modo doerem-lhe as forças. Ela própria não sabe se a dor que sente a cravar-lhe as veias é dolorosa ou extremamente prazerosa. Não sabe se gosta ou se simplesmente não se importa. Tudo à sua volta parece amedrontar todos os seus gestos. Tudo o que ela acredita ou pensava acreditar torna-se agora alvo de pequenas súplicas. Favores e desejos que esta, interminavelmente, suplica e pede que se concretizem. O desespero corre-lhe na alma, como a tristeza no rosto. O seu chão de tão móvel que se encontra, cria buracos de refúgio, onde esta por vezes, por longos períodos de tempo, se refugia e parece descansar. Pelo menos tentar fazê-lo. Tudo corre e os milésimos de segundo parecem ser cada vez mais curtos. Torna-se tudo um ciclo vicioso impossível de lhe atribuir qualquer forma de desprezo. São já vastos os socos mal avisados que esta leva por baixo daquele abdómen tão massacrado. Já nem a leveza, nem a astúcia das manhãs a fazem crer em qualquer tipo de esperança. Ela começou agora a testemunhar actos desumanos e cruéis. Actos insólitos, que sem merecer, cometem com ela. E a raiva, o desgosto, o desespero e até mesmo a sede de vingança começam-se a conjugar dentro de si. Não há volta a dar, o seu ser fora aniquilado por esse masoquismo humano. Conseguirá a sua alma sobreviver? Ou o seu corpo tornar-se-à um esqueleto intacto de afectos? Coração seco e amargurado em corpo e alma que outrora foram capazes de seguir. Pois é, a vida tem as suas sortes. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Hoje sinto-me uma "Fernando Pessoa"


Encontro-me em em Coimbra, cidade de todo o encanto, sentada numa esplanada de um café. Observo as pessoas que passam na rua: observo os seus rotos, as suas atitudes e toda uma conjuntura de actos que formam o chamado viver. Viver que é tão bom e ao mesmo tempo tão difícil. Cada rosto que fixo transmite-me algo, não sei bem o que sinto, mas creio que cada pessoa desperta em mim sentimentos diferentes. Vejo de tudo um pouco; Gente alegre, gente apática, pessoas de sorriso estampado e pessoas que há muito se esqueceram dele. Provavelmente deixaram-no por aí perdido, algures nessas ruas da eternidade. Tem dias que me apetece fazer o mesmo com o meu. Sinto-me uma autêntica “Fernando Pessoa”. Apetece-me levantar da cadeira e ir de pessoa em pessoa dar uma palavrinha. Não sei ao certo o que poderia dizer, visto que falar com estranhos é coisa que raramente faço. Mas lá está, cativa-me essa sensação de falar com estranhos. São estranhos, nada sabem sobre mim e eu muito menos sei sobre eles e palavras amigáveis todos nós deveremos gostar de ouvir. Então a minha vontade é essa, fazer o bem hoje, alguma coisa de útil, de grande, de valor. Às vezes a vida tem segundos tão insignificantes… porque não aproveitar esses segundos e fazer deles grandes momentos? São vontades. Imensas vontades que se poderiam traduzir em grandes gestos se todos nós fossemos um pouco mais humanos. Acebei de sorrir para uma velhinha que está neste preciso momento a entrar no cafezito onde me encontro. Já fiz um gesto bom! Por mais pequenino que seja foi bom, pois essa graciosa senhora devolveu-me o sorriso com outro sorriso. Hoje deu-me para isto, sentar-me neste café e escrever. Ser escritor é isto mesmo: sentar, observar, sentir e escrever. Hoje falo de vontades, amanhã falarei de conquistas.
O importante é nunca deixar de sentir. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Chega deste erro.



E chega. Chega dessa humilhação que me causas. Chega dessas ofensas que te achas no direito de me dar. Chega desse desprezo e desse amor interesseiro que tens por mim. Chegou a hora de levantar a cabeça e dar graças à pessoa que sou. Está na hora de voltar a olhar para mim. Para aquilo que sou e que tanto amo. Desperdicei muito do meu coração contigo. Sufoquei até as forças me falharem, tentei de tudo e de tudo te dei. Mas agora basta! Chega deste amor vadio regado por estas lágrimas que em vão deitei. Jamais voltarei admitir que me uses, difames e me coloques de parte sempre que bem entendes. Verás agora toda à minha força, todo o meu ser a lutar contra este sentimento. O desprezo que me deste, será o desprezo que te vou retribuir. Selando contas. Deixando para trás essa pessoas que és, que tanto mal me fez. E se um dia eu voltar amar, que me lembre então de ti, e de tudo o que não me deste. Pois ao lembrar-me saberei que optei pela escolha certa. Deixando-te, estou abrir caminho para uma nova fase. Fase essa onde homens (meninos) como tu não têm espaço. Essa pessoa que és, que te tornas sempre que te dá para alucinar, um dia cairá. Será a queda da tua vida. E quando estiveres no fundo do poço mais profundo, ver-me-às no topo e verás que um dia eu realmente podia ter sido a tua possível vida. Foste para mim o que mais ninguém foi. Mas agora chega! Quem te risca sou eu. Amar quem não nos ama, não é um erro, é uma completa burrice. Deixar que alguém nos humilhe, nos faça sofrer, nos torture é uma crueldade ao nosso ego. Tu foste mais que cruel, foste desumano. Preencheste-me da maior infelicidade de todas. Quebraste os meus sentimentos e fizeste deles estilhaços.Sem dó nem piedade usaste-me. Chega desta tortura. Chega deste amor não correspondido. O mundo é enorme e tu és simplesmente mais um covarde que eu tive o desgosto de conhecer. E pelo amor que eu tenho a mim e aos que me amam, hoje eu coloco fim a estas lágrimas. Por mais que me custe, hoje começo-te a arrancar do meu peito. Sou linda, sou inteligente, sou verdadeira e boa pessoa e tu jamais serás digno de uma pessoa como eu. Chega! Chega desta ilusão, chega deste erro.





Este texto é dedicado aos meus amigos. A todos aqueles que todos os dias me fazem ver que o mundo é um lugar belo, cheio de pessoas dignas de se amar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pudesses tu sentir  este meu amor,
Esta Paixão que alimento incansavelmente.
Soubesses tu o quanto dói.
Este respirar, esta falta, esta lembrança...
Saudades dos dias claros e das noites quentes de Verão.
Saudade desse jeito maldoso e espírito de leão.
Saudades... nada mais que saudades.
E o tempo, esse efémero tempo que tanto nos afasta ou afastou.
Esse tempo perdido em que te deixei, em que me deixas-te.
Pudesses tu sentir este meu amar. 
Pudesses tu evitar este meu chorar. 
E desejando-te, continuo a desejar,
Até ao dia que te lembres de mim, de ti,
E de tudo aquilo que ficou por contar. 

                                                                                     D.M.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Como gostar ?

No jogo da paixão, ou os dados estão em sintonia, ou o mais provável é a jogada correr mal. Ou se gosta a dois, ou não se gosta. É impensável gostar pela metade. No dar e no partilhar não existem lados, não existem partidos. Os sentimentos não se igualam, não se comparam. Não se pode argumentar quem dá mais ou quem dá menos, pois quando se gosta a troca é mútua, é de igual para igual. Sentimentos não se exigem, não se imploram. Cativam-se. Aos poucos, assim como quem não quer a coisa…
Neste quebra-cabeças que é a paixão, todos têm o seu tempo, a sua forma de aos poucos aceitar o que esta trás. Muitos receiam, duvidam e colocam questões em todas as jogadas que pretendem tomar. Mas quando se gosta, aceita-se. Espera-se. Compreende-se. E mesmo depois de tudo isto, continuasse a tentar.
Gostar é sentir saudade estando perto, é querer beijar estando a beijar, é querer encarnar um no outro a meio de um abraço prolongado. Quando gostamos, as horas e os minutos são a nossa guerra de almofadas. O tempo parece um tic tac demorado, um tic tac insuportável. Pois quando se gosta a presença é fundamental.
O respeito, o carinho, o valor, todos eles são obrigatórios, todos eles são regra a cumprir. E quando se gosta, nada disto é difícil de executar. As boas atitudes saem naturalmente, os beijos, os carinhos, as festas ao de leve… as coisas acontecem, só porque sim.
Parece fácil. Seria fácil se o gostar que eu falo fosse um gostar verdadeiro, real.
É triste quando um sentimento bom se resume a mágoa. É triste quando este conto de fadas não passa de uma comédia de mau gosto. É triste. Mas quando se gosta, gosta-se. Assim, sem problemas. O certo é que a paixão é um jogo, e infelizmente os problemas são o seu forte. É então que as tristezas e as desilusões se acumulam. O tempo passa e falta que sentimos começa a exagerar e a carregar o peito de dor. E os erros cometidos de dia para dia parecem magoar cada vez mais. As memórias que supostamente deveriam ser boas, apagam-se. E no pensamento só surge aquele momento: O momento em que eu deixei de gostar.   



sábado, 20 de outubro de 2012

E assim disse ela...

Os gestos ingénuos que ele tinha contigo agora misturam-se com a crueldade dos seus actos. Sempre confiaste nas pessoas erradas, sempre te julgas-te apta a definir o certo do errado, mas pecas-te ao confiar demais nas palavras de um misterioso rapaz. Ele veio para te trazer a experiência que tu precisas, esta lição será dolorosa o bastante para que tu tenhas medo de reagir. O pouco que sobrou de ti foi arrasado.
Dos amigos que eu nunca confiei, dos amigos que tu confias, as minhas palavras não são provas mas relatos a serem mostrados num futuro próximo. Eu sei muito bem o que vai acontecer, ou talvez esteja apenas a julgar antecipadamente, mas os olhos daquele rapaz jamais me enganaram, eles traduziam o teu consolo temporário e a tua derrota definitiva. 
Quiseste crer nesse amor instantâneo, quiseste acreditar na bondade alheia e na forma como ela te poderia reconstruir desse mal passado. Entregaste-te de corpo e alma e de corpo e alma te destroçaram, te usaram. Eu avisei-te, chamei-te atenção tantas e tantas vezes. Vês a tua teimosia? Viste como deu errado de novo? Agora vá... chora todo esse mal. Descarrega toda essa desilusão. Está outra vez na hora de te recompores. E não penses que será impossível, basta lembrares-te do teu passado. Aquele outro que te magoou também. E toda essa crueldade que cometeram contigo, todos esses maltratos a que te submetes-te, não te preocupes um dia lembrar-te-às deles como boas lições. 
Então agora respira fundo, enxuga essas lágrimas e prossegue. O tempo será o teu remédio.
Mas não te esqueças, esse rapaz jamais te mereceu. Esse rapaz minha querida, não era rapaz suficiente para ti. 





domingo, 14 de outubro de 2012

Intenções


Há tempos que estavas fechado. Guardado para algo melhor, algo que no fim de todas as tempestades me fosse mostrar que nem tudo na vida está destinado a ser um fracasso. Estavas quieto no teu canto à espera que todas as memórias permanecessem mortas, acabadas, findadas. Selei-te com carinho, aconcheguei-te o melhor que pude. Fiz tudo com o maior cuidado, com o maior percalço, com a melhor das intenções. Queria o teu bem. A tua paz. Sei que te fiz infeliz durante imenso tempo. Sei que te fiz atingir o limite. 
Estilhacei-te, quebrei-te, magoei-te das piores formas que o podia fazer. Magoei-te magoando-me a mim própria. Hoje peço-te perdão, pois mais uma vez voltei a ser cruel contigo. Voltei a ser egoísta, voltei a colocar as minhas emoções acima de ti. Como posso eu ser este mostro, esta pessoa incoerente? Como posso eu, depois de tudo, de todo aquele mal-estar que te fiz passar, de toda aquela dor, voltar a cometer o mesmo erro? Que autonomia tenho eu para te fazer passar mais uma vez por este drama? Não tenho, nem nunca tive. Peço-te perdão pela falta de respeito, pela falta de consideração, pela falta de amor por ti. Desculpa se por momentos tentei esquecer aquele passado. Talvez foi por pensar que tudo poderia dar certo, que tentei apostar mais uma vez. Pensei: “ - se eu nunca tentar, eu nunca saberei”. Mas eu esqueci-me que já tinha feito a minha aposta uma vez. Esqueci-me que já tinha tentado uma vez. E não sei como, por momentos esqueci o quão doloroso foi ter perdido aquela aposta, esqueci-me o quão dolorosa aquela tentativa foi. O quanto magoada e desfigurada ela me deixou. Por isso peço-te perdão, um perdão difícil de conceder. Sei que nunca vou conseguir substituir este mal que te faço, esta crueldade que cometo contigo. Por mais que tente volto sempre a magoar-te, a magoar-me. Perdoa-me, pois nunca vou conseguir curar-te. Perdoa-me, por seres meu. Perdoa-me coração, para eu conseguir me perdoar também.  



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lágrimas


Sabes aquela lágrima que tu derramas-te ontem à noite antes de adormecer? Lembras-te do motivo? É difícil não é? Sofrer tanto assim por alguém que amas e que, provavelmente, não te liga nem um pouco. A tua vida é complicada, é difícil, mais do que qualquer um possa imaginar. Todos os dias tens que colocar no rosto aquele sorriso lindo que tu tens só para esconder as tuas lágrimas. E toda a vez que tu entras no chuveiro é só para poder desabafar e colocar para fora todas aquelas lágrimas que seguras-te o dia inteiro. Podes tentar evitar ao máximo possível, mas tu sabes que quando te fores deitar é nele e na confusão da tua vida que tu vais pensar. Podes chorar querida, não é um erro, é uma necessidade. Precisas colocar para fora toda essa dor que já te causaram. Estás a ser forte guardando tudo isso só para ti, nunca te julgues fraca, porque não o és. E eu sei, e tu sabes, e todas as mulheres do mundo sabem como é sentir essa sensação, essa dor. Apenas continua a ser forte. Apenas isso. Um dia essa dor passa. Um dia vai passar. 



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Desordens


O importante é que ontem não chorei. Tive coragem de aceitar a pior das hipóteses, a hipótese mais correcta. O melhor. Não pensei duas vezes, não parei uma única vez. À medida que andava parecia que expulsava a raiva que há muito continha aqui dentro. Foi como se todas as partes cortadas da história viessem ao de cimo. Todos os porquês me passaram no pensamento, não podia continuar a torturar-me. Não me podia sujeitar a mais uma dor. Então fui, com toda a vontade do mundo, fui. A história estava-se a repetir, parecia um déjà vu, e desta vez parecia torna-se pior a cada segundo que passava. Não ia cair nesta teia de agonia. Não ia ser tão masoquista a esse ponto. Então segui sem olhar uma única vez para trás. Quando dói, dói só uma vez. É o suficiente, é o quanto basta. São coisas que não se entendem, desordens que não se arrumam. E quando tudo está mal, é quando tudo tem tendência a piorar. Mas eu não me encaixo neste cenário, neste emaranhado de sentimentos, nesta confusão de confusões. Quando tudo está mal é quando eu desisto. Então eu desisti de tudo o que havia para desistir. Não por querer, mas sim porque tinha de ser. Era o mínimo que podia fazer por mim. Porque quando dói, só dói uma vez. E se há coisa impossível de se fazer é esquecer uma dor. Porque quando dói, dói para toda a vida.






domingo, 30 de setembro de 2012

Máquinas



Gostava de entender esta máquina. Perceber a utilidade das suas peças, aprender a desmontá-la e a montá-la sempre que quisesse. Desenhar-lhe um manual de instruções, talvez assim tudo fosse menos complicado. Gostava de a desligar. Por um dia, um mês, um ano. O tempo suficiente para que eu criasse coragem de a ligar. Coragem de a manusear e entender a sua configuração.
Mas que posso eu fazer? Não existe nenhum sistema operativo que se adeque à minha máquina, ao meu ser. Não existe vontade maior que esta de querer olhar teimosamente para além do que vejo. Não existe. E esse é o problema: a falta de existência. Porque por mais que tentemos, às vezes certas peças não encaixam. Às vezes certas peças não existem. E sem peças dificilmente se constrói máquina alguma. Por uns tempos até acredito que ela possa funcionar, mas a falta de peças fará com que a sua existência diminua dia após dia, até fazer a máquina parar. Deixando de haver qualquer tipo de solução. Qualquer tipo de remendo.
Então a máquina para. E tudo o que ela produzia ou tentava produzir, para com ela. Esgotasse de tal maneira que o único remédio seria comprar uma máquina nova. Renovar. Mas eu não sei trabalhar com máquinas. Eu não sou nenhuma máquina. E como tal, o melhor é mudar de ofício.



domingo, 16 de setembro de 2012

Dias com defeito


Por vezes a vontade de chorar ataca. Aquela vontade estranha que nos agonia a garganta fazendo estremecer o som da nossa voz. Situações que transformam bons dias em dias estranhos, com defeito. Toda uma conjuntura de maus actos, de péssimas situações. O mal-estar acumula-se e vai crescendo, fazendo sentir uma ligeira pressão sobre o peito. Depressa surge aquela vontade de deitar na cama, fechar os olhos na esperança que tudo passe. Já deitados pensamos em mil e uma coisas, mil e não sei quantas explicações. E a força que fazemos para evitar a queda nesse poço de lamentações é deveras surpreendente. Inúmeras são as complicações que nos passam pela cabeça nesse preciso momento. Inúmeros são os sentimentos que acanhamos no peito. A raiva que há muito contemos parece querer expelir-se de forma violenta e crucial. Parece que o tórax já não tem espaço suficiente para esta “angina de peito”. E quando não é a raiva que fala mais alto, é a dor. E são tantas e tão variadas as dores que uma pessoa pode sentir. Dor, essa terrível sensação que ladrilha o corpo de um mal-estar aterrorizante, de um sufoco constante, de uma incrível perda de forças. O ser humano é tao fácil de magoar, tão fácil de desiludir… e por fim caem as primeiras lágrimas. As primeiras são sempre as mais dolorosas. E choramos, sozinhos, com a cabeça na almofada, com o coração apertado. Choramos todos os nossos males ou pelo menos os que remoem naquele preciso momento. Mas chorar não resolve. Então dormimos. Não para esquecer, mas sim para que doe menos.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

A dor.

A dor. Só tens que sobreviver a ela, esperar que ela se vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou sare. Não há soluções nem respostas fáceis. Só respiras fundo e esperas que ela vá diminuindo. Na maior parte do tempo, a dor pode ser administrada, mas às vezes ela pega-te quando menos esperas, acerta-te abaixo da cintura e não te deixa levantar. Tens que lutar através da dor, porque a verdade é que tu não consegues escapar dela e a vida, por incrível que pareça, vai-te sempre causar mais.



sábado, 8 de setembro de 2012

São coisas

 É difícil reparar todos estes estragos. Acordar todos os dias como se nada fosse. Levantar, escovar os dentes, lavar a cara, tudo isto de olhos fixos naquele espelho que reflete um rosto pálido de quem acaba de acordar de um pesadelo. Ou para um pesadelo.
 É difícil mudar. É difícil deixar para trás certos pormenores. Certas palavras, certas atitudes. Por mais vontade que se tenha é difícil voltar a criar espectativas. Não é que não queiramos, simplesmente não estamos preparados.
 Não é que a vida seja complicada, nós é que a complicamos. Mas por vezes demora a esquecer determinadas situações, principalmente as que doem. Seria maravilhoso se tudo fosse mais fácil, mais simples. Mas não é, muitas vezes as respostas estão bem à nossa frente e por casmurrice não lidamos com elas. Casmurrice ou medo, deixo à vossa opinião.
 A verdade é que por vezes o refúgio é mais fácil, mais seguro e isso por vezes é o quanto basta. É o mais preferível. É o que serve. Daí a insegurança, o medo, a vergonha. O refúgio pode manter o coração salvo de desilusões, mas torna-o num ser fraco dia após dia. O medo de amar petrifica. Doí, porque no final dos dias o que nos resta somos nós, e nada neste mundo nos faz sentir mais sozinhos que isso.
 Mas a vida é assim, um puzzle complicado de se fazer. Por vezes as peças encaixam na perfeição, mas o desenho que elas contêm não se iguala. Outras vezes as peças não se encaixam, mas mesmo assim tentamos forçar. E ainda há aquelas vezes, raríssimas vezes, em que encontramos a peça certa logo à primeira vista. Seria demasiada sorte se o meu puzzle fosse assim. Seria demasiada sorte se tudo deixasse de ser difícil amanhã.  




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