quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Hoje sinto-me uma "Fernando Pessoa"


Encontro-me em em Coimbra, cidade de todo o encanto, sentada numa esplanada de um café. Observo as pessoas que passam na rua: observo os seus rotos, as suas atitudes e toda uma conjuntura de actos que formam o chamado viver. Viver que é tão bom e ao mesmo tempo tão difícil. Cada rosto que fixo transmite-me algo, não sei bem o que sinto, mas creio que cada pessoa desperta em mim sentimentos diferentes. Vejo de tudo um pouco; Gente alegre, gente apática, pessoas de sorriso estampado e pessoas que há muito se esqueceram dele. Provavelmente deixaram-no por aí perdido, algures nessas ruas da eternidade. Tem dias que me apetece fazer o mesmo com o meu. Sinto-me uma autêntica “Fernando Pessoa”. Apetece-me levantar da cadeira e ir de pessoa em pessoa dar uma palavrinha. Não sei ao certo o que poderia dizer, visto que falar com estranhos é coisa que raramente faço. Mas lá está, cativa-me essa sensação de falar com estranhos. São estranhos, nada sabem sobre mim e eu muito menos sei sobre eles e palavras amigáveis todos nós deveremos gostar de ouvir. Então a minha vontade é essa, fazer o bem hoje, alguma coisa de útil, de grande, de valor. Às vezes a vida tem segundos tão insignificantes… porque não aproveitar esses segundos e fazer deles grandes momentos? São vontades. Imensas vontades que se poderiam traduzir em grandes gestos se todos nós fossemos um pouco mais humanos. Acebei de sorrir para uma velhinha que está neste preciso momento a entrar no cafezito onde me encontro. Já fiz um gesto bom! Por mais pequenino que seja foi bom, pois essa graciosa senhora devolveu-me o sorriso com outro sorriso. Hoje deu-me para isto, sentar-me neste café e escrever. Ser escritor é isto mesmo: sentar, observar, sentir e escrever. Hoje falo de vontades, amanhã falarei de conquistas.
O importante é nunca deixar de sentir. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Chega deste erro.



E chega. Chega dessa humilhação que me causas. Chega dessas ofensas que te achas no direito de me dar. Chega desse desprezo e desse amor interesseiro que tens por mim. Chegou a hora de levantar a cabeça e dar graças à pessoa que sou. Está na hora de voltar a olhar para mim. Para aquilo que sou e que tanto amo. Desperdicei muito do meu coração contigo. Sufoquei até as forças me falharem, tentei de tudo e de tudo te dei. Mas agora basta! Chega deste amor vadio regado por estas lágrimas que em vão deitei. Jamais voltarei admitir que me uses, difames e me coloques de parte sempre que bem entendes. Verás agora toda à minha força, todo o meu ser a lutar contra este sentimento. O desprezo que me deste, será o desprezo que te vou retribuir. Selando contas. Deixando para trás essa pessoas que és, que tanto mal me fez. E se um dia eu voltar amar, que me lembre então de ti, e de tudo o que não me deste. Pois ao lembrar-me saberei que optei pela escolha certa. Deixando-te, estou abrir caminho para uma nova fase. Fase essa onde homens (meninos) como tu não têm espaço. Essa pessoa que és, que te tornas sempre que te dá para alucinar, um dia cairá. Será a queda da tua vida. E quando estiveres no fundo do poço mais profundo, ver-me-às no topo e verás que um dia eu realmente podia ter sido a tua possível vida. Foste para mim o que mais ninguém foi. Mas agora chega! Quem te risca sou eu. Amar quem não nos ama, não é um erro, é uma completa burrice. Deixar que alguém nos humilhe, nos faça sofrer, nos torture é uma crueldade ao nosso ego. Tu foste mais que cruel, foste desumano. Preencheste-me da maior infelicidade de todas. Quebraste os meus sentimentos e fizeste deles estilhaços.Sem dó nem piedade usaste-me. Chega desta tortura. Chega deste amor não correspondido. O mundo é enorme e tu és simplesmente mais um covarde que eu tive o desgosto de conhecer. E pelo amor que eu tenho a mim e aos que me amam, hoje eu coloco fim a estas lágrimas. Por mais que me custe, hoje começo-te a arrancar do meu peito. Sou linda, sou inteligente, sou verdadeira e boa pessoa e tu jamais serás digno de uma pessoa como eu. Chega! Chega desta ilusão, chega deste erro.





Este texto é dedicado aos meus amigos. A todos aqueles que todos os dias me fazem ver que o mundo é um lugar belo, cheio de pessoas dignas de se amar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pudesses tu sentir  este meu amor,
Esta Paixão que alimento incansavelmente.
Soubesses tu o quanto dói.
Este respirar, esta falta, esta lembrança...
Saudades dos dias claros e das noites quentes de Verão.
Saudade desse jeito maldoso e espírito de leão.
Saudades... nada mais que saudades.
E o tempo, esse efémero tempo que tanto nos afasta ou afastou.
Esse tempo perdido em que te deixei, em que me deixas-te.
Pudesses tu sentir este meu amar. 
Pudesses tu evitar este meu chorar. 
E desejando-te, continuo a desejar,
Até ao dia que te lembres de mim, de ti,
E de tudo aquilo que ficou por contar. 

                                                                                     D.M.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Como gostar ?

No jogo da paixão, ou os dados estão em sintonia, ou o mais provável é a jogada correr mal. Ou se gosta a dois, ou não se gosta. É impensável gostar pela metade. No dar e no partilhar não existem lados, não existem partidos. Os sentimentos não se igualam, não se comparam. Não se pode argumentar quem dá mais ou quem dá menos, pois quando se gosta a troca é mútua, é de igual para igual. Sentimentos não se exigem, não se imploram. Cativam-se. Aos poucos, assim como quem não quer a coisa…
Neste quebra-cabeças que é a paixão, todos têm o seu tempo, a sua forma de aos poucos aceitar o que esta trás. Muitos receiam, duvidam e colocam questões em todas as jogadas que pretendem tomar. Mas quando se gosta, aceita-se. Espera-se. Compreende-se. E mesmo depois de tudo isto, continuasse a tentar.
Gostar é sentir saudade estando perto, é querer beijar estando a beijar, é querer encarnar um no outro a meio de um abraço prolongado. Quando gostamos, as horas e os minutos são a nossa guerra de almofadas. O tempo parece um tic tac demorado, um tic tac insuportável. Pois quando se gosta a presença é fundamental.
O respeito, o carinho, o valor, todos eles são obrigatórios, todos eles são regra a cumprir. E quando se gosta, nada disto é difícil de executar. As boas atitudes saem naturalmente, os beijos, os carinhos, as festas ao de leve… as coisas acontecem, só porque sim.
Parece fácil. Seria fácil se o gostar que eu falo fosse um gostar verdadeiro, real.
É triste quando um sentimento bom se resume a mágoa. É triste quando este conto de fadas não passa de uma comédia de mau gosto. É triste. Mas quando se gosta, gosta-se. Assim, sem problemas. O certo é que a paixão é um jogo, e infelizmente os problemas são o seu forte. É então que as tristezas e as desilusões se acumulam. O tempo passa e falta que sentimos começa a exagerar e a carregar o peito de dor. E os erros cometidos de dia para dia parecem magoar cada vez mais. As memórias que supostamente deveriam ser boas, apagam-se. E no pensamento só surge aquele momento: O momento em que eu deixei de gostar.   



sábado, 20 de outubro de 2012

E assim disse ela...

Os gestos ingénuos que ele tinha contigo agora misturam-se com a crueldade dos seus actos. Sempre confiaste nas pessoas erradas, sempre te julgas-te apta a definir o certo do errado, mas pecas-te ao confiar demais nas palavras de um misterioso rapaz. Ele veio para te trazer a experiência que tu precisas, esta lição será dolorosa o bastante para que tu tenhas medo de reagir. O pouco que sobrou de ti foi arrasado.
Dos amigos que eu nunca confiei, dos amigos que tu confias, as minhas palavras não são provas mas relatos a serem mostrados num futuro próximo. Eu sei muito bem o que vai acontecer, ou talvez esteja apenas a julgar antecipadamente, mas os olhos daquele rapaz jamais me enganaram, eles traduziam o teu consolo temporário e a tua derrota definitiva. 
Quiseste crer nesse amor instantâneo, quiseste acreditar na bondade alheia e na forma como ela te poderia reconstruir desse mal passado. Entregaste-te de corpo e alma e de corpo e alma te destroçaram, te usaram. Eu avisei-te, chamei-te atenção tantas e tantas vezes. Vês a tua teimosia? Viste como deu errado de novo? Agora vá... chora todo esse mal. Descarrega toda essa desilusão. Está outra vez na hora de te recompores. E não penses que será impossível, basta lembrares-te do teu passado. Aquele outro que te magoou também. E toda essa crueldade que cometeram contigo, todos esses maltratos a que te submetes-te, não te preocupes um dia lembrar-te-às deles como boas lições. 
Então agora respira fundo, enxuga essas lágrimas e prossegue. O tempo será o teu remédio.
Mas não te esqueças, esse rapaz jamais te mereceu. Esse rapaz minha querida, não era rapaz suficiente para ti. 





domingo, 14 de outubro de 2012

Intenções


Há tempos que estavas fechado. Guardado para algo melhor, algo que no fim de todas as tempestades me fosse mostrar que nem tudo na vida está destinado a ser um fracasso. Estavas quieto no teu canto à espera que todas as memórias permanecessem mortas, acabadas, findadas. Selei-te com carinho, aconcheguei-te o melhor que pude. Fiz tudo com o maior cuidado, com o maior percalço, com a melhor das intenções. Queria o teu bem. A tua paz. Sei que te fiz infeliz durante imenso tempo. Sei que te fiz atingir o limite. 
Estilhacei-te, quebrei-te, magoei-te das piores formas que o podia fazer. Magoei-te magoando-me a mim própria. Hoje peço-te perdão, pois mais uma vez voltei a ser cruel contigo. Voltei a ser egoísta, voltei a colocar as minhas emoções acima de ti. Como posso eu ser este mostro, esta pessoa incoerente? Como posso eu, depois de tudo, de todo aquele mal-estar que te fiz passar, de toda aquela dor, voltar a cometer o mesmo erro? Que autonomia tenho eu para te fazer passar mais uma vez por este drama? Não tenho, nem nunca tive. Peço-te perdão pela falta de respeito, pela falta de consideração, pela falta de amor por ti. Desculpa se por momentos tentei esquecer aquele passado. Talvez foi por pensar que tudo poderia dar certo, que tentei apostar mais uma vez. Pensei: “ - se eu nunca tentar, eu nunca saberei”. Mas eu esqueci-me que já tinha feito a minha aposta uma vez. Esqueci-me que já tinha tentado uma vez. E não sei como, por momentos esqueci o quão doloroso foi ter perdido aquela aposta, esqueci-me o quão dolorosa aquela tentativa foi. O quanto magoada e desfigurada ela me deixou. Por isso peço-te perdão, um perdão difícil de conceder. Sei que nunca vou conseguir substituir este mal que te faço, esta crueldade que cometo contigo. Por mais que tente volto sempre a magoar-te, a magoar-me. Perdoa-me, pois nunca vou conseguir curar-te. Perdoa-me, por seres meu. Perdoa-me coração, para eu conseguir me perdoar também.  



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lágrimas


Sabes aquela lágrima que tu derramas-te ontem à noite antes de adormecer? Lembras-te do motivo? É difícil não é? Sofrer tanto assim por alguém que amas e que, provavelmente, não te liga nem um pouco. A tua vida é complicada, é difícil, mais do que qualquer um possa imaginar. Todos os dias tens que colocar no rosto aquele sorriso lindo que tu tens só para esconder as tuas lágrimas. E toda a vez que tu entras no chuveiro é só para poder desabafar e colocar para fora todas aquelas lágrimas que seguras-te o dia inteiro. Podes tentar evitar ao máximo possível, mas tu sabes que quando te fores deitar é nele e na confusão da tua vida que tu vais pensar. Podes chorar querida, não é um erro, é uma necessidade. Precisas colocar para fora toda essa dor que já te causaram. Estás a ser forte guardando tudo isso só para ti, nunca te julgues fraca, porque não o és. E eu sei, e tu sabes, e todas as mulheres do mundo sabem como é sentir essa sensação, essa dor. Apenas continua a ser forte. Apenas isso. Um dia essa dor passa. Um dia vai passar. 



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Desordens


O importante é que ontem não chorei. Tive coragem de aceitar a pior das hipóteses, a hipótese mais correcta. O melhor. Não pensei duas vezes, não parei uma única vez. À medida que andava parecia que expulsava a raiva que há muito continha aqui dentro. Foi como se todas as partes cortadas da história viessem ao de cimo. Todos os porquês me passaram no pensamento, não podia continuar a torturar-me. Não me podia sujeitar a mais uma dor. Então fui, com toda a vontade do mundo, fui. A história estava-se a repetir, parecia um déjà vu, e desta vez parecia torna-se pior a cada segundo que passava. Não ia cair nesta teia de agonia. Não ia ser tão masoquista a esse ponto. Então segui sem olhar uma única vez para trás. Quando dói, dói só uma vez. É o suficiente, é o quanto basta. São coisas que não se entendem, desordens que não se arrumam. E quando tudo está mal, é quando tudo tem tendência a piorar. Mas eu não me encaixo neste cenário, neste emaranhado de sentimentos, nesta confusão de confusões. Quando tudo está mal é quando eu desisto. Então eu desisti de tudo o que havia para desistir. Não por querer, mas sim porque tinha de ser. Era o mínimo que podia fazer por mim. Porque quando dói, só dói uma vez. E se há coisa impossível de se fazer é esquecer uma dor. Porque quando dói, dói para toda a vida.






domingo, 30 de setembro de 2012

Máquinas



Gostava de entender esta máquina. Perceber a utilidade das suas peças, aprender a desmontá-la e a montá-la sempre que quisesse. Desenhar-lhe um manual de instruções, talvez assim tudo fosse menos complicado. Gostava de a desligar. Por um dia, um mês, um ano. O tempo suficiente para que eu criasse coragem de a ligar. Coragem de a manusear e entender a sua configuração.
Mas que posso eu fazer? Não existe nenhum sistema operativo que se adeque à minha máquina, ao meu ser. Não existe vontade maior que esta de querer olhar teimosamente para além do que vejo. Não existe. E esse é o problema: a falta de existência. Porque por mais que tentemos, às vezes certas peças não encaixam. Às vezes certas peças não existem. E sem peças dificilmente se constrói máquina alguma. Por uns tempos até acredito que ela possa funcionar, mas a falta de peças fará com que a sua existência diminua dia após dia, até fazer a máquina parar. Deixando de haver qualquer tipo de solução. Qualquer tipo de remendo.
Então a máquina para. E tudo o que ela produzia ou tentava produzir, para com ela. Esgotasse de tal maneira que o único remédio seria comprar uma máquina nova. Renovar. Mas eu não sei trabalhar com máquinas. Eu não sou nenhuma máquina. E como tal, o melhor é mudar de ofício.



domingo, 16 de setembro de 2012

Dias com defeito


Por vezes a vontade de chorar ataca. Aquela vontade estranha que nos agonia a garganta fazendo estremecer o som da nossa voz. Situações que transformam bons dias em dias estranhos, com defeito. Toda uma conjuntura de maus actos, de péssimas situações. O mal-estar acumula-se e vai crescendo, fazendo sentir uma ligeira pressão sobre o peito. Depressa surge aquela vontade de deitar na cama, fechar os olhos na esperança que tudo passe. Já deitados pensamos em mil e uma coisas, mil e não sei quantas explicações. E a força que fazemos para evitar a queda nesse poço de lamentações é deveras surpreendente. Inúmeras são as complicações que nos passam pela cabeça nesse preciso momento. Inúmeros são os sentimentos que acanhamos no peito. A raiva que há muito contemos parece querer expelir-se de forma violenta e crucial. Parece que o tórax já não tem espaço suficiente para esta “angina de peito”. E quando não é a raiva que fala mais alto, é a dor. E são tantas e tão variadas as dores que uma pessoa pode sentir. Dor, essa terrível sensação que ladrilha o corpo de um mal-estar aterrorizante, de um sufoco constante, de uma incrível perda de forças. O ser humano é tao fácil de magoar, tão fácil de desiludir… e por fim caem as primeiras lágrimas. As primeiras são sempre as mais dolorosas. E choramos, sozinhos, com a cabeça na almofada, com o coração apertado. Choramos todos os nossos males ou pelo menos os que remoem naquele preciso momento. Mas chorar não resolve. Então dormimos. Não para esquecer, mas sim para que doe menos.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

A dor.

A dor. Só tens que sobreviver a ela, esperar que ela se vá embora sozinha, esperar que a ferida que a causou sare. Não há soluções nem respostas fáceis. Só respiras fundo e esperas que ela vá diminuindo. Na maior parte do tempo, a dor pode ser administrada, mas às vezes ela pega-te quando menos esperas, acerta-te abaixo da cintura e não te deixa levantar. Tens que lutar através da dor, porque a verdade é que tu não consegues escapar dela e a vida, por incrível que pareça, vai-te sempre causar mais.



sábado, 8 de setembro de 2012

São coisas

 É difícil reparar todos estes estragos. Acordar todos os dias como se nada fosse. Levantar, escovar os dentes, lavar a cara, tudo isto de olhos fixos naquele espelho que reflete um rosto pálido de quem acaba de acordar de um pesadelo. Ou para um pesadelo.
 É difícil mudar. É difícil deixar para trás certos pormenores. Certas palavras, certas atitudes. Por mais vontade que se tenha é difícil voltar a criar espectativas. Não é que não queiramos, simplesmente não estamos preparados.
 Não é que a vida seja complicada, nós é que a complicamos. Mas por vezes demora a esquecer determinadas situações, principalmente as que doem. Seria maravilhoso se tudo fosse mais fácil, mais simples. Mas não é, muitas vezes as respostas estão bem à nossa frente e por casmurrice não lidamos com elas. Casmurrice ou medo, deixo à vossa opinião.
 A verdade é que por vezes o refúgio é mais fácil, mais seguro e isso por vezes é o quanto basta. É o mais preferível. É o que serve. Daí a insegurança, o medo, a vergonha. O refúgio pode manter o coração salvo de desilusões, mas torna-o num ser fraco dia após dia. O medo de amar petrifica. Doí, porque no final dos dias o que nos resta somos nós, e nada neste mundo nos faz sentir mais sozinhos que isso.
 Mas a vida é assim, um puzzle complicado de se fazer. Por vezes as peças encaixam na perfeição, mas o desenho que elas contêm não se iguala. Outras vezes as peças não se encaixam, mas mesmo assim tentamos forçar. E ainda há aquelas vezes, raríssimas vezes, em que encontramos a peça certa logo à primeira vista. Seria demasiada sorte se o meu puzzle fosse assim. Seria demasiada sorte se tudo deixasse de ser difícil amanhã.  




domingo, 2 de setembro de 2012

E a crítica começa agora!


380º é o meu novo projecto! Uma ideia completamente contrária à que mantenho aqui. Vou continuar na mesma a postar os meus textos aqui neste blog, mas vou dar asas à imaginação e começar um projecto totalmente diferente!! Espero corresponder às vossas expectativas e que vos cative como seguidores. Desde já agradeço o vosso apoio até aqui. Obrigado e um beijinho a todos * 

http://margarida380.blogspot.pt/

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nunca parar de acreditar


E ela voava pelo céu sem sentido, numa tentativa de encontrar a outra parte de si. Aquela outra metade que responderia a todas as suas questões. Nos amanheceres das manhas frias ela embrulhava-se na velha manta com cheiro a hortelã e ficava à janela a observar a vida que corria pelas ruas escorregadias do frio inverno. Fantasiava com todos os seus sonhos. Por vezes, com a pontinha do dedo já meio gelado desenhava toda uma vida na janela embaciada. Perdia-se durante horas e horas naquele mundo que só ela tinha permissão para entrar.
Era uma sonhadora. Sonhava com tudo e com nada, com alguma coisa e com coisa alguma.
As suas asas eram do tamanho de meio mundo, a sua força e a sua perspicácia faziam-na crer que o amanhã era sempre melhor que aquele presente sonhador. A sua fé era surpreendente, um exemplo. O seu interior doente jamais, em tempo algum, fez com que o seu sorriso desaparecesse.
E, apesar da sua fraqueza como ser humano, tudo era motivo para despertar um pequeno sorriso.
Os dias passaram, as horas correram e infelizmente os astros não estavam conjugados para que tudo desse certo. Infelizmente a vida não lhe sorriu. Ela parecia tão forte por vezes… mas todos sabíamos que não aparentava a mesma coisa.  
E mesmo com desfeita que a vida lhe fez, pelo menos ela tentou todos os dias da sua vida.
Naquela janela fica o reflexo daquela que voava e sonhava mesmo quando tudo parecia frio e cinza. E mesmo com a sua partida, mesmo sabendo que a parte que lhe iria dar todas as respostas continua deste lado de cá, pelo menos de uma coisa eu sei, ela continua aqui, presente. Esperando o reencontro, esperando uma nova oportunidade. Um outro dia, um dia melhor. 





domingo, 15 de julho de 2012

Amanhã é um outro dia!


Paro e ouço o estranho constrangimento do silêncio que me rodeia, as vozes deste espaço tentam comunicar comigo. Por momentos padeço táctica, parece que não as percebo. Mas, ao fim de alguns instantes dou por mim num diálogo de paredes, sozinha, afável, calmosamente falando. Repito para mim mesma que esta é a inocência do meu ser, quando os pensamentos me segregam e eu os sinto como pulsação ardente. Nada mais importa. Faço fluir em mim toda a existência que me proporcionaram, a minha carne, o meu corpo, tudo se torna em melodia. A conversa vagarosamente continua e nela surgem monstros, neblinas, castelos e subúrbios, tudo o que de uma vida faz parte. Eu converso. Falo, de toda a minha exatidão e de tudo aquilo que alguma vez cri. Exponho o cenário completo, mostro o lado negro e saudável da coisa. Afinal, por mais errado que seja este meu ser, devo expô-lo tal e qual como é. Chega de rodeios. Sou difícil à minha maneira. A conversa já vai longa e eu ainda tenho muito para conversar, mas vou esperar. Afinal o bom da vida é descobrimento dos encantos que ela nos proporciona e os desabafos afortunados (ou não) que ela nos cede. Por enquanto as paredes parecem interessadas nesta conjuntura que é a minha pessoa. O que é bom. Mas amanhã será um outro dia, uma outra conversa, uma outra parte de mim. Deixemos então para amanhã esta continuação, talvez assim ela se torne eterna.

domingo, 8 de julho de 2012

Partir hoje ou viver desta maneira?

Podia inventar mil desculpas que justificassem este meu desejo de partir. Mas a única que encontro é a necessidade de comprar um bilhete sem destino. Ir sem saber para onde ir, se possível o mais longe que conseguir, mas como sei eu o quanto longe é longe? Não sei. Os bolsos não precisam de ir cheios, a mala deverá conter o essencial, o importante é a consciência de que qualquer lugar será melhor que este em que me encontro. Não sei explicar este querer, só sei que cada vez que me encontro numa estação de serviço dou por mim a observar as pessoas. Vejo rostos soltos, diferentes. Todas elas têm um destino, todas elas têm um lugar para onde ir, onde ficar. Muitos vão em busca de aventura, deixam-se ir ao sabor do vento, esperando que este os surpreenda. Às vezes pergunto-me: - porque não me juntar a eles? É nesses momentos que surge este bichinho de querer partir. Sozinha. Sem destino, sem compromisso. Qualquer lugar será melhor. Hoje acabo de chegar de algum lugar, a mala ainda está por desfazer. E se eu partir esta noite? Agora? Viver ou morrer assim? Hoje sinto que posso ser qualquer coisa, qualquer um. Eu. Tomara que o comboio consiga ser o suficientemente rápido para me fazer voar. Hoje não quero ser história, hoje quero ser aventura. Talvez encontre o meu eu em algum subúrbio, talvez encontre a parte que me falta perdida numa dessas estradas da vida. Mas como saberei eu essas coisas se não partir hoje? Posso partir amanha, mas não será a mesma coisa. Amanha é mais um dia, mais 24horas de atraso. E para quê me atrasar se posso mudar a paisagem hoje mesmo? Para quê me atrasar se hoje mesmo posso começar a viver?



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mutilação

Quando a conheci pela primeira vez ela mostrava uma enorme vontade de viver, um desejo insaciável de experimentar todas as sensações deste mundo. A garra que tinha, a vontade de viver que transparecia nos seus olhos era apaixonante. Era uma outra com certeza. Mas aos poucos, sem dar conta, tudo mudou. Desde aquele dia, em que ela sentiu pela primeira vez o beliscar da solidão. Desde esse dia nunca mais foi a mesma, desde esse dia que alimenta a fera que lhe roubou a dignidade. Ela sabe que tudo à sua volta está um caos. Os abusos que comete são escabrosos e a raiva que ela carrega dentro de si, aos poucos a esta a desmembrar. O seu íntimo está magoado, a sua alma de tantos tombos que deu encontra-se ali, perdida. A sua confiança abandonou-a e a esperança que ela mantinha foi-se. Assim como ela. Ela não é mais a mesma e todos sabem disso. Ela própria o sabe.
Os seus olhos carregam uma mágoa angustiante, o seu coração um desgosto que está muito longe de ser curado. O desejo de vingança é visível, a vontade de matar todos esses fantasmas que o destino lhe trouxe é assustadora. Mas ninguém entende. Todos pensam que ela se encontra cravada neste meio incorrecto e vicioso. Não! Ela sabe de cor todos os maus actos que cometeu e comete. Sabe as consequências das suas atitudes e ela própria está disposta a carregar esse fardo. Ninguém entende, mas ela precisa desta sentença. Ela precisa desta auto mutilação que ela está a cometer consigo mesma. É necessário que ela cometa todos estes maus tratos. São eles que lhe alimentam o seu ego desvanecido.
A vontade de querer mudar escorre-lhe pelo rosto. É desesperante observar toda esta angústia. Tão triste e injusta. Mas ela sabe que está errada. Sabe. Mas, de momento, já nada lhe importa. Apesar desta ruína em que se encontra, no fundo ela está a aprender a viver. Uma vida que só agora descobriu. De um modo que, apesar de errado, é necessário viver. A verdade é que ela tornou-se uma pessoa ávida, incapaz de acreditar em segundas oportunidades. Os seus medos e as suas dúvidas são os seus maiores culpados, mas até eles são injustamente julgados. Ela sabe que quer e que tem de mudar. No fundo ela é como todas nós, mulher.






domingo, 24 de junho de 2012

"Algumas vezes na vida, raras as vezes, tu encontras uma amiga especial. Alguém que muda a tua vida simplesmente por se encontrar nela. Alguém que te faz rir até tu não poderes mais parar. Alguém que te faz acreditar que realmente tem algo de bom no mundo. Alguém que te convence que existe uma porta destrancada esperando que a abras. Isso é uma amizade para sempre. Quando tu estás em baixo e o mundo parece escuro e vazio, essa tua amiga para sempre põe-te para cima e faz com que o mundo escuro e vazio fique mais claro. A tua amiga para sempre vai-te ajudar nas horas mais difíceis, tristes e confusas. Se tu começares a caminhar, a tua amiga para sempre vai-te seguir. Se tu perderes o teu caminho, ela vai-te guiar e colocar no caminho certo. A tua amiga para sempre vai segurar a tua mão e dizer que, não importa o que aconteça, tudo vai ficar bem. A tua amiga é para sempre, e para sempre não tem fim."


terça-feira, 19 de junho de 2012

" Cada uma fez a sua escolha.Você escolheu me magoar, ser falsa, mentir para mim e ser indiferente a tudo isso. Eu, por falta de opção, escolhi não te perdoar. "


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Abuso sentimental


Tu sabias que poderias ficar com o meu coração para todo o sempre, sabias que o podias moldar, tipo plasticina, e dar-lhe a forma que bem entendesses. Sabias que a paixão que eu sentia por ti era sentida e abrangedora de uma infinidade que nem os céus conhecem. Tu sabias de todas as minhas hipóteses, e por mais que negues, sabias quais os caminhos que eu ia tomar. E mesmo sabendo tu, quase de cor todo o meu ser, decidiste tu quebra-lo. E quantas foram as vezes que te implorei para não me quebrares, para não me deixares à margem de um nada com o qual eu não estaria pronta para lidar, mais uma vez.
Amei-te com todas as forças do meu coração. Enlacei-me a ti como há muito não me enlaçava com alguém. O que eu não sabia -e agora já sei- é que os laços são apenas um simples enfeite. Triste, mas a verdade é que cometias comigo um dos maiores abusos sentimentais existentes.
Contudo, de todas as vezes que pude, segurei-te nos meus braços. E no meu regaço embalava-te, contando-te histórias de como a vida um dia seria perfeita. Segurei-te o mais que pude, suportei-te até a vontade própria me deixar e quando as forças se esgotaram, quando já nada havia a salvar, tomei a liberdade de te deixar ir. Esperando eu que fosses para bem longe.
Tu eras bagunça, poeira, caus. Agitavas o meu mundo e nem davas conta do quanto o desarrumavas. E quando eu tentava limpar ou ajustar essa tua maneira de ser, por incrível que pareça, tu tornavas-te um inferno cada vez pior.
Não aguentei. E como tal, deixei-te. Entreguei-te aos ventos que um dia te trouxeram até mim. E da mesma forma que eles te colheram, deixei eu que te levassem.
Éramos paradigmas diferentes, eu sol tu lua, eu sim tu não, eu verdadeira, tu nem sei… E por não saber, ou talvez por não querer saber, dei por findada a nossa história.
Talvez eu prefira criar uma relação com alguém ausente, do que criar laços com aqueles que estão (ou não) presentes. Talvez eu faça, ou tenha feito, tudo para arrumar a vida dos outros. Mas, e eu? Quem é que vai arrumar as minhas desordens? Quem é me vai por ordem? Quem é que um dia vai olhar para mim e perceber, “ela sim vale a pena!”?


… da verdadeira amiga, Diana Margarida. 




sábado, 19 de maio de 2012

História perdida


Tentei por varias vezes sentir, e senti. Tentei gostar, e gostei. Muito. Tentei dar, mas não dei. Tentei dizer, mas não o disse. Afastei, e consegui. E por breves segundos, dias, semanas, não me questionei. Sentia-me aliviada. Sentia-me livre e descansada, pois já nada fazia sentido. O que eu não sabia, ou não queria saber, era que afinal, uma única vez durante bastante tempo aquela história foi a única coisa que fez sentido. Não era uma história, era a minha história, a qual descartei, deitei fora e nada fiz para a reconquistar.
E hoje, olhando este espelho, vejo a cobardia da qual me cobri. Vejo o quanto asas dei a este medo que me persegue. E ele, a minha história, já não é mais minha/meu. E embora doa, nada faço para alterar este destino.
 Ele não sabe deste sentimento, ninguém sabe deste arrependimento. E quanto mais eu penso, mais a consciência me pesa. Por tudo, tornei-me uma outra, incapaz de sentir. E por sentir, optei por perder, uma derrota que jamais vai ter uma desforra. E por mais caminhos que existam, sei que nenhum me levará a ele. E as duvidas que restam, só me levam a perguntar, “porquê?”.
Doí. Doí bastante. Os obscurantismos da vida gelam-nos, são capazes de nos petrificar, fazendo-nos desistir de viver. Fazendo-nos deixar tudo por medo, por culpa. Agora sei, tomei consciência, se calhar, do maior erro que cometi. Todos precisamos de alguém, para acreditar em algo. Eu não quis ver, eu não quis sentir e decidi deixar ir, afastar para não ter de admitir, que no fundo, eu só gostava. A verdade é que eu sentia e sinto. Agora sinto-me a quebrar todos os dias, sinto-me desfeita, incapaz de gostar de mim mesma. Sinto falta. Uma grande quantidade de saudades, que se pudesse gritar aos céus, os céus não seriam capazes de aguentar tal sofrimento. O meu corpo parece uma junção de ossos partidos, a minha consciência está perdida por caminhos bem longes. E o tempo, esse terminou no dia em que eu não dei mais a mão. O sol, esse foi-se. E o preto passou a ser uma cor natural aos meus olhos. 
O meu interior ninguém decifra, o mundo lá fora é complicado de mais para me entender. Ou talvez seja eu, não sei. Tento-me abrir, tento explicar-me na esperança que tudo volte atrás. À noite, quando converso com o silencio, conto-lhe aqueles nossos episódios, falo-lhe da minha história, choro-lhe esta minha dor. E todos os dias lhe digo, dava tudo para que ele voltasse. Desta vez seria diferente, eu não teria medo de amar, teria sim um medo terrível de deixar ir. Mais uma vez, como tantas vezes o fiz.  


 














domingo, 13 de maio de 2012

Não sei

 















Sinto-me cair numa reflexão profunda. Aos poucos começo a deixar de sentir o meu corpo, deixo de ouvir e por breves segundos, consigo deixar de respirar. Não sei o que tenho hoje, ou o que tenho à meses. Sinceramente, já nada sei. Tudo mudou desde aquele dia, se por um lado deixei aquela ferida, por outro ganhei esta cicatriz. Todos os dias são dias para duvidar, todos eles são capazes de me fazer pensar de tantas e várias maneiras, mas nenhuma delas a ideal. Quando me tento soltar, libertar um pouco mais de sentimento, a cicatriz começa a doer. E páro. Como faço quase sempre cada vez que penso com o coração. Ninguém percebe, nem eu mesma me percebo. Não é por querer que gosto de exagero, a verdade é que já não sei gostar. A verdade é que me perdi, não sei onde, algures por aí deve andar o meu sentimento. Esse que todos falam, que todos dizem para me reconciliar. E pensam eles que não tento, que não sei o quão injusta sou… pois bem, a vida é uma hipérbole, sempre a contradizer-se. Eu própria me contradigo. Ontem acordei com uma vontade enorme de querer amar, hoje deito-me com o coração apertado por saber que estou longe disso. E não me venham com moralismos, ou juízos de valor. Tudo tem um tempo, um instante determinado em todos os segundos que correm nesta vida. Todos eles são grandiosos, e mais que isso preciosos. Mas existem aqueles instantes, pequenos que eles são. Raramente os sentimos, e quando os sentimos mal os conseguimos desfrutar. Mas são esses pequeninos segundos, esses míseros instantes que nos mostram o porque da nossa existência. Vêm sem avisar e com eles trazem situações, momentos, pessoas, sentimentos e todo o tipo de objectos e caricias. São belos e únicos. E fazem-nos acreditar em quase tudo, mostrando a possibilidade das coisas. Mas conforme vêm, também vão. E pronto. Resta-nos a nossa consciência. E aquilo que sabemos por experiência própria! Não sei como estarei amanhã, mas sei que a minha pior batalha será sempre entre aquilo que eu sei e aquilo que eu sinto. E de momento já não sei se sinto, já não sei sentir.


domingo, 22 de abril de 2012

Um estranho texto



Sou assim, viciada em vícios. Um gosto bizarro e incontrolável por maus hábitos. Às vezes gosto de enlouquecer, seja sóbria ou bêbada. Pareço uma chaleira a ferver o tempo todo, muitas vezes com necessidade de apitar para o mundo, na tentativa que este baixe o seu fogo por algum tempo. Mas, por mais que tente, volto sempre a ficar quente. Quente demais... Não consigo evitar, é a maneira que mais amo de viver a minha vida. Porém, não consigo deixar de olhar para as vidas chatas das pessoas medíocres, certinhas, que tentam a todo o instante manter a postura para serem aceites. No meu bairro, no autocarro, nas ruas, na televisão, até mesmo nas saídas à noite, onde vão sei lá porque, sentam-se a um canto na hora que chegam e só se levantam na hora de irem embora.
No meu mapa de existência mundial elas estão marcadas com a cor cinza e representam as áreas idiotas e nada divertidas. E isso não tem nada a ver com ser-se louco ou não. Tenho amigos que nem cervejas bebem e que são bem piores que qualquer alcoólatra que conheço. Tem a ver com o jeito com que encaramos a vida. Por vezes fico a pensar que essas pessoas “chatas” só devem ter relações sexuais de luz apagada, simplesmente para não se olharem umas nos olhos das outras. Ou então com o intuito de poupar na electricidade, com vista a arrecadar os poucos cêntimos que têm para mais tarde gastarem. Muitas delas chegam aos 80 anos de idade sem usufruíram desse pé-de-meia, infelizmente. A maioria destas pessoas têm filhos, “parasitas da sociedade”, como lhes chama a minha mãe. São aqueles filhinhos que moram na casa dos papás a vida toda e que aos 40 anos gritam do quarto para mãe que está na cozinha: “ó mãe frita-me um ovo por favor?”... Em consequência disto, e para piorar a situação, conhecem alguma decadente mórfica num bingo de igreja, casam e levam-na também para casa dos pais. E a pobre mãe, já viciada em remédios e limpezas, fica-se perguntado a onde é que errou na vida para ter gerado um hipopótamo míope e sem pernas e não uma pessoa que pelo menos vai até a padaria sozinha. E se nós perguntamos porquê que não vão viver as suas próprias vidas, eles respondem que não são burros, e que podem simplesmente ficar ali, à espera que os velhos morram para ficarem com a casa. O mundo está cheio disto, atentados.
Bom, mas eles que se lixem. O fato é que eu seria uma suicida em potencial se concordasse e me visse presa nas áreas cinzentas do planeta. É verdade que eu não sou tudo o que queria ser, mas pelo menos não sou o que não queria. Já está razoavelmente melhor, do meu ponto de vista. Mas sempre que sinto a chaleira a ferver dou uns gritos, arranco a roupa, parto alguma coisa, faço alguma maluquice. E o vapor de novo volta para dentro. Por um tempo, é claro. Bom, já disse que sou uma criatura estranha. No mínimo isso. Mas prefiro assim. De qualquer das maneiras, vá eu para onde for, convido sempre os meus amigos. Mas a escolha é deles, óbvio. Geralmente a minha fama chega antes de mim e todos já sabem o que significa conviver comigo. Na verdade ninguém aguenta muito tempo este meu temperamento. Mas já estou habituada. Alguns voltam sempre. Alguns voltam, ficam uns cinco minutos, lembram-se e estampam-me na cara uma vontade absurda de sair a correr. Mas tem sempre um ou outro. Existem também os meninos. E eu tenho o meu menino, que acorda sempre ao meu lado, que aprendeu a sobreviver à minha loucura e que deve ser um pouco mais maluco que eu para estar comigo há tanto tempo. E por volta das três da manhã eu acordo, acendo a churrasqueira no quintal, abro uma cerveja e fico sentada a escrever qualquer coisa esperando que amanheça. Ele levanta-se, senta-se durante alguns segundos ao meu lado, dá um gole na minha cerveja, dá-me um beijo no rosto, diz que me ama e volta a dormir. É, afinal eu não devo ser tão maluca assim...



























 

Seguidores